Palavrantiga
OBRA EM MOVIMENTO
Esperar é Caminhar!

8 de março de 2010

Rafael Porto entrevista Palavrantiga

Confraria, alegria sempre!

Desde o início das nossas atividades – há dois anos atrás – a entrevista feita pelo Rafael Porto  é com certeza, com algumas pequenas ressalvas, a melhor já publicada até então. Seja pelo simples fato de compartilhar aquilo que precede nosso nome e visão de mundo, até o jeito de provocar sem ofender, de fazer pensar sem se passar por insolente.

Sim, esse é o erro mais recorrente no meio jornalístico; às vezes por falta de formação, em outras  por preguiça intelectual, mesmo. Aqui ele escolhe um outro caminho.Que bom,não é?!

Aproveitem para comentar lá no Blog dele. Boa leitura!

Rafael Porto entrevista Palavrantiga

Abraço demorado

Marcos Almeida

Tags: , ,

23 de janeiro de 2010

Hope Rock – a Arte tecida na Esperança

Muitos têm encontrado o Palavrantiga e às vezes não conseguem, pelas convenções de catálogo já existentes, classificar o som do grupo. Alguns chamam de Rock Nacional, outros de Indie ou Alternativo, alguns de Cristão ou Gospel.

Fato é que a gente nunca se importou muito com os rótulos, justamente por eles serem reducionistas demais e pelo fato de inferir utilidades e finalidades de mercado que não tem nada a ver com a obra de arte em si, ou com a expressão sincera do artista.

Existem artistas que acabam inventando nomes para designar sua arte, dado o receio que têm de aparecer algum maluco [quase sempre um jornalista] apelidando pejorativamente sua criação. Como aconteceu com o Samba Reggae que acabou virando Axé Music.

Pela evidente e natural confissão do Palavrantiga, nós nunca colocamos nossa arte à disposição de outros sentidos que não fossem artísticos, expressivos ou sonoros. Com isso, sempre dizemos que as canções não atendem uma finalidade religiosa, no sentido de catequeze ou doutrinária como alguns acabam fazendo.

Obviamente, aqueles que crêm no Evangelho imediatamente identificam muito mais que isso. Enchergam Aquele que sustenta a poesia, que inspira e habilita tal olhar para com a realidade. Com isso essa obra artística se abre para além dela, trancendendo a estética, a expressão e o som. É por isso que nesse contexto as canções se tornam hinos verticais.

É preciso ampliar nosso olhar para perceber esse misterioso caminho da arte, tão próximo do simbólico e do religare encontrados na espiritualidade. Contudo seria,de certa forma, desonesto chamar nossa arte de mediadora, ou de instrumento de contato com o Divino, já que isso só poderia acontecer se Ele assim quisesse; abrindo o ouvido daquele que ouve para além do que é apenas onda. Como diz C.S. Lewis “Tratando-se de conhecer a Deus, a iniciativa veio da parte dele. Se ele não se mostra, não há nada que você possa fazer para encontrá-lo.”

Fico feliz em saber que as canções escritas, que o Palavrantiga gravou com tanta intensidade, estão reverberando em vários corações. Nós somos muito parecidos um com o outro, por isso da identificação. Também, fico feliz quando alguém, por graça de Deus, se abre para além do som e encontra paz e reconciliação. Que Ele seja louvado por isso! Só pode ser coisa Dele, rsrs!

E o que é isso, companheiro? É expressão a partir. É uma arte com começos. É o que podemos saber; uma arte que começa nesse relacionamento com Deus, com os amigos, com a Igreja, com a Natureza, com a Vida. Sem finalidades e em certo sentido, sem utilidades. Qual seria a utilidade de um beija-flor colhendo àgua numa bromélia? É beleza e faz bem… Vejo que é bom!

Se eu pudesse contribuir com a criatividade dos jornalistas e admiradores do Palavrantiga, daria algumas pistas para um novo nome que pudesse identificar mais adequadamente o nosso som.Tudo que fazemos é tecido na Esperança. Essa é uma palavra muito importante no nosso vocabulário.Nossa língua é o esperancês. Uma língua que reconcilia a dor com a alegria, que não chama de ilusão tal dor, nem mesmo abraça aquele otimismo ingênuo em relação à realidade. Nosso rock é da Esperança. Seria então, pra deixar mais globalizado, Hope Rock?

Fiquem a vontade….

Abraço demorado.

Marcos Almeida

Belo Horizonte. 23.01.10

Tags: , ,

12 de dezembro de 2009

A Cruz – por Luiz Felipe Pondé

Luiz Felipe Pondé dispensa comentários e introduções a seu respeito. Desde que começou a escrever na Folha de São Paulo e ministrar cursos nas séries filosóficas da TV Cultura, todos nós ouvimos e nos impressionamos com a sua contradição, clareza e profundidade.

Nunca antes publicamos textos de outros autores aqui no nosso site, no entanto, de forma muito apropriada apareceu essa pérola de reflexão que compartilhamos com vocês a fim de oferecer mais um elemento que compõe nossa visão de mundo. Mais ainda, nas palavras de um cara que experimentou outras veredas nessa Criação tão diversa e viva que nos é dádiva.

Boa leitura.

Marcos Almeida

——————————————————————————————————————————————————————————-

ANOS ATRÁS, em Paris, o historiador Jacques Le Goff me falava da sua preocupação com o destino da cultura ocidental. Para ele, o Ocidente poderia perder sua identidade como resultado de sua própria produção cultural.

Outros intelectuais também partilhariam de suas inquietações. Entre eles, o antropólogo Lévi-Strauss, morto semana passada. Le Goff se inquietava porque parte das agonias da cultura ocidental teria sido fruto dos “achados” da história e da antropologia e seus frutos, as filosofias e políticas relativistas do século 20.

O relativismo existe desde os sofistas gregos e tem em Protágoras seu ícone máximo de então. Mas o que é “relativismo”? Em Protágoras é: “O homem é a medida de todas as coisas” (versão curta). Isto quer dizer que tudo é criação humana: a moral, a religião, enfim, as verdades de cada cultura. Sentados num bar, diríamos: “Cada um é cada um”.

A história contemporânea acentuou essa versão das coisas quando afirmou que as épocas têm suas concepções de mundo específicas e que não podemos dizer que uma época seja melhor do que a outra. A antropologia, por sua vez (e aqui entra Lévi-Strauss), afirmou que as culturas não podem ser comparadas umas com as outras sem cometermos o pecado de não percebermos que cada cultura seria um sistema fechado em si mesmo, onde um comportamento só poderia ser julgado pelos valores morais da própria cultura.

Por exemplo, matar bebês pode ser um horror moral acima do equador e uma obrigação sublime abaixo do equador. É comum remeter a Lévi-Strauss a descoberta da “dignidade intrínseca” de cada cultura, e que não se deve julgar uma cultura usando valores de outras.

Não há dúvida que essa atitude é essencial para a antropologia. O problema começaria quando pensamos no impacto do relativismo no próprio Ocidente que o inventou. Dito de outra forma: o relativismo se transformou numa militância política e moral apenas no Ocidente. Enquanto os ocidentais estariam sofrendo de uma “indigestão” devido à assimilação do relativismo, as “outras” culturas, estudadas pelos próprios ocidentais, permaneceriam no seu repouso não contaminado pelo relativismo. Trocando em miúdos: muçulmanos podem permanecer acreditando em seu paraíso com virgens, índios em seus espíritos da floresta, enfim, apenas os ocidentais deveriam “relativizar” seu Deus e suas “verdades”.

Sendo os cientistas sociais, os filósofos, os professores e os jornalistas maciçamente ocidentais, seriam as crianças deles que deveriam ser educadas duvidando da validade universal de seu mundo. Aí entra a inquietação de Le Goff: o Ocidente poderia se dissolver como identidade à medida que relativizaria a si mesmo, enquanto as “outras” culturas seriam poupadas da crítica relativista, porque indiferentes à angústia relativista ocidental e, também, porque contam com a simpatia do Ocidente nessa indiferença e na defesa de sua “dignidade intrínseca”.

A verdade é que os homens são sempre contraditórios e, ainda que eu não saiba se Lévi-Strauss de fato partilhava da mesma angustia de Le Goff, algumas pessoas afirmam que ele admirava seu avô Rabino e que julgava os racionalistas ateus uns chatos e preferiria aqueles que acreditam em Deus. Pode ser boato, mas isso faria dele um homem mais interessante do que alguns que engoliram o relativismo assim como quem come pão e vai ao circo.

Um exemplo da “indigestão” causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia “desrespeitado” porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.

Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.

Luiz Felipe Pondé

09.Nov. 2009

Tags: , , , , , , ,

18 de novembro de 2009

Música no Mundo = Música do Mundo?

Alegria sempre!

Há alguns dias atrás, estive participando de uma entrevista organizada via e-mail pelo amigo e jornalista João Neto – do portal Guia-me – e logo em seguida compartilhei com os confrades do Palavrantiga o resultado desse bate papo. Com muito entusiasmo eles me incentivaram a postar aqui, no nosso sítio, o conteúdo integral da conversa.

Na esperança de compartilhar boa nova, desejo uma boa leitura para todos.

Abraço demorado.

Marcos Almeida

——————————————————————————————————————————————————————————————-

J.N. O que te vem à mente quando se fala em “música do mundo”? E “música secular”?

M.A. Antes de qualquer outra palavra, acredito que é bom contextualizar a pergunta. Pois não é comum no meio cristão evangélico raciocinar a respeito do seu próprio sistema de pensamento, ou seja, perguntar por que se usa certos jargões tais como “música do mundo” ainda é mexer em estruturas culturais, é mexer no costume de um povo que já se habituou a repetir sem analizar, adotar vocabulários sem questionar origem, em fim, como todo povo sobre a face da terra, os evangélicos têm nos seus usos e costumes um ‘baú de herança’ pelo qual todos os adeptos devem lutar afim de manter tal tradição, empacotada, intacta até a próxima geração.
Não existe nada de mal nisso.É apenas uma constatação daquilo que é natural em qualquer sociedade que não considera a reflexão como instrumento útil para o crescimento da consciência rumo a uma visão mais completa da realidade. Mesmo que isso queira dizer, em certo momento, perder certas crenças para ganhar outras mais amplas.

Dito essas duas coisas vamos então mexer nos símbolos dessa cultura com todo o respeito:

Se nessa situação a gente considerar o termo “mundo” igual a “sistema simbólico pagão” ou “sistema secular” e música como “som e silêncio organizados expressivamente para que alguém ouça”, dificilmente o sujeito que não seja pagão vai gostar de ouvir tal música secular! Alguns mais radicais não vão querer ouvir nem por curiosidade de descobrir o que passa na alma do outro que não é da sua tribo. Pois alguns evangélicos admitem ouvir música secular no próposito que é: entender o pagão. No intuíto que é: ouvir o não crente revelar aquilo que o faz crer. Outros ainda ouvem sem considerar o valor simbólico e pragmático da letra secular, ouvem pelo som. Estes já abstraíram qualquer discurso, preferem apenas o som ao sentido rígido das palavras: é a música pela música.

Desde aquele que diz não ouvir música secular, como também o que ouve afim de analisar psicologicamente o outro, até aquele que deseja apenas sentir o som, a verdade mais crua é que todos ouvem música do mundo! A diferença é que para alguns tal som é um ensurdecedor ruído e para outros é expressão de beleza. E olha, todos esses grupos de posições tão divergentes creem em Jesus Cristo como salvador.

Eu enquanto músico cristão, compositor e professor penso que a arte que eu faço é naturalmente NO mundo mas não é DO mundo. Isso quer dizer que não me insiro em nenhum desses grupos acima colocados, pois o paradgma acaba sendo outro – obviamente me pauto em João 17, na oração de Jesus. Uma arte no mundo é bem diferente de uma arte do mundo. Quando procuro um filme para assistir,ou uma literatura,como também uma música, sempre busco uma expressão sincera que seja no mundo. Pois uma expressão artística que negue estar no mundo desconsidera o lugar onde seus pés estão fincados. Quem deseja uma música que não seja NO mundo talvez não queira de fato continuar vivendo por esses lados aqui da Terra.

J.N. É possível ouvir músicas que não sejam especificamente denominadas como evangélicas (ou “gospel”) e ser edificado com isso?

M.A. Perfeitamente!Claro que sim! Pois a música mundana pode inadvertidamente ser chamada de Gospel e aí não é um selo, ou uma marca cristã que preserva uma confissão sadia. Todos sabem disso! A Boa Nova não está restrita a uma cerca construída pelos parâmetros mercadológicos ou doutrinários, a Boa Nova ultrapassa fronteiras. A Boa Nova é um caminho e não um limite.

J.N. A música pode fazer bem ao ser humano, simplesmente pelo fato de ser música e ser feita com sentimento?

M.A. Se você folhear alguma revista de medicina dos últimos 30 anos vai poder encontrar algum artigo ressaltando o valor terapêutico da música. Muitos hospitais brasileiros já têm musicoterapia como um dos seus mais queridos serviços, principalmente na reabilitação de pessoas traumatizadas fisicamente.

J.N. Sabe-se que há grupos musicais que não se denominam “gospel”, mas em suas músicas falam sobre princípios cristãos como o amor, o respeito ao próximo, a peservação do meio ambiente, etc. Na sua opinião, essa também é uma forma de edificar aqueles que os ouvem?

M.A. Penso que não exista uma canção que seja neutra, que não queira falar sem se mostrar. É impossível! Até aquele que compõe no propósito de deixar um discurso desconexo para o ouvinte, uma coisa nublada, muito descomprometida, já tem aí uma intensão, a intensão de não ser objetivo. Como diz uma escritora mineira: diante do ouvinte, todo artísta sincero acaba se confessando publicamente. Então, não é tão raro encontrarmos confissões de artístas não carimbados pelo selo Gospel que são verdadeiras declarações de amor pela Vida, à criação, ao próximo. Como disse anteriormente, a partir do momento que você começa a pensar esse assunto por outro paradgma que não seja o comercial ou religioso vai conseguir ouvir muita música No mundo que não é Do mundo, não é Gospel nem Carismática e mesmo assim confessa publicamente a Boa Nova para todos os homens! Pois verdadeiramente o Evangelho não é uma fronteira construída pelos costumes de um povo. O Evangelho é um Caminho, é uma direção, é um vento que atravessa os limites de uma cultura e pode sim inspirar muita música neste mundo grande e misterioso!

Marcos Oliveira de Almeida

12 de Novembro 2009

Belo Horizonte

Tags: , , , , ,

10 de novembro de 2009

O “santo” ofício

No ultimo mês de Outubro estivemos na estrada na data do meu aniversário, algo que já ocorre a alguns anos decorrente da disponibilidade e prioridade das agendas e viagens. Ao comemorar os 25 anos – o que alguns comentam brincando “…é amigo, chegou a 1/3 da vida já em…” – fiquei pensando sobre um debate ocorrido nas aulas de história medieval e resolvi compartilhar com todos sobre o “provérbis”, acompanhando os textos de reflexões que a pouco tempo iniciamos aqui no blog.
Os católicos chamavam de “santo ofício” o serviço sacerdotal que fora numa época muito intensificado, principalmente nos julgamentos e inquisições do período medieval. Uso o termo em tom de descontração para levar a todos a pensar sobre o ofício que o Criador tem para cada um, e para isso preciso expor também a forma de ver universo por inteiro que Deus tem nos mostrado, haja vista o termo cosmovisão Cristã usado e explorado por muitos amigos ( veja link e textos dos irmãos de labri ) e outros “brothers” à quem Deus tem revelado esse mistério. Somos todos sacerdotes e não existe os separados para isso como entendiam os monges católicos da época. Me alegro há alguns anos quando percebo que o Senhor tem formado essa identidade inteira em muitos e que mesmo sendo um médico, advogado, político ou até ligado a arte, como é o caso dó Palavrantiga com a música, saiba exercer esse ofício e levar o Reino a todos. Poderíamos imaginar pedindo licença a toda problemática histórica que talvez os tribunais do “santo” ofício na melhor das intenções e por entender que o sacerdócio era para poucos e que esses poucos teriam que manter a ordem e os princípios morais do cristianismo cometeram equívocos devido a uma mentalidade dicotômica que os cercavam. Mas nós temos a oportunidade de assumir com muita certeza em Deus do nosso ofício e intervir no contexto social certos do lugar e da identidade a que isso aplica e conseqüentemente ver o Reino propagado.
Por isso antes de exercer o ofício, e preciso entende-lo para não cometer equívocos parecidos. Acredito que é possível que os dons naturais em algumas áreas profissionais uma vez submetidas ao governo do Senhor tem a possibilidade de atingir essa identidade. Exemplo; um doutor não precisa necessariamente largar o consultório para servir o Reino.
Pensem nisso, e que o Senhor revele a todos o querer Dele em vós, e amplie o olhar do universo em nossa volta.

Santo OficioNo ultimo mês de Outubro estivemos na estrada na data do meu aniversário, algo que já ocorre há alguns anos, dada a prioridade que damos às agendas e viagens. Ao comemorar os 25 anos, fiquei pensando sobre um debate ocorrido nas aulas de história medieval e resolvi compartilhar com todos sobre o “provérbis”, acompanhando os textos de reflexões que há pouco tempo iniciamos aqui no blog.

Os católicos chamavam de “santo ofício” o serviço sacerdotal que fora numa época muito intensificado, principalmente nos julgamentos e inquisições do período medieval. Uso o termo em tom de descontração para levar  todos a pensar sobre o ofício que o Criador tem para cada um, e para isso preciso expor também a forma de ver o universo por inteiro que Deus tem nos ensinado, e que é bem expresso no termo cosmovisão Cristã usado e explorado por muitos amigos (veja link e textos dos irmãos de labri ) e outros “brothers” a quem Deus tem revelado esse mistério.

A Palavra afirma que somos todos sacerdotes, assim, não existem os separados para isso como entendiam os monges católicos da época. Me alegra perceber que o Senhor tem formado essa identidade inteira em muitos que mesmo sendo médicos, advogados, políticos ou até ligados a arte, como é o caso do Palavrantiga com a música, sabem exercer esse ofício e levar o Reino a todos.

Poderíamos imaginar, pedindo licença a toda problemática histórica, que talvez os tribunais do “santo” ofício na melhor das intenções, entendendo que o sacerdócio era para poucos e que estes tinham a responsabilidade de manter a ordem e os princípios morais do cristianismo, cometeram equívocos devido à mentalidade dicotômica que os cercava. Essa mentalidade ainda nos envolve e nos limita enganando-nos quanto à nossa identidade sacerdotal. Mas se compreendemos a grandeza e inteireza desse ofício, temos a oportunidade de assumi-lo com muita certeza em Deus e intervir no contexto social, certos do lugar e da identidade que nos foi outorgada, indo por todo mundo e propagando o Reino.

Para exercer nosso ofício é preciso entendê-lo a fim de não cometermos equívocos parecidos. Acredito que dons naturais em áreas profissionais uma vez submetidos ao governo do Senhor têm a possibilidade de servir nessa identidade. Exemplo: um médico não precisa necessariamente largar o consultório para servir integralmente o Reino, nem um jogador de futebol esperar se aposentar para tal.

Pensem nisso, e que o Senhor revele a todos Seu querer e nos amplie o olhar para que em tudo que nos é existência manifestemos o Reino que vem, mas que já está em nós.

Lucas Fonseca

PALAVRANTIGA

Tags: , , ,

18 de outubro de 2009

Igreja,da mesma que a sua.

Lindões e lindonas, alegria sempre!

Agora a pouco estava a estudar e escrever, quando me lembrei de duas coisas: avisar a turma sobre o programa Sempre Feliz da TV Rede Super que me recebe amanhã[segunda-feira 19] a partir das 9h:40 e , também, compartilhar um breve pensamento sobre a Igreja. O  lembrete está dado, vamos ao pensamento.

A Igreja parece ser, durante boa parte da nossa caminhada,tão inofensiva que não conseguimos vê-la. Outra vez, ao olharmos demoradamente, percebemos que a Igreja é tão grande e exuberante que não cabe em nenhuma instituição aparente.

A Igreja é maior do que qualquer organização física, seja católica ou evangélica, seja copta ou grega. Tão grande que transborda às tentativas de representação que essas denominações nos descrevem. Ao mesmo tempo ela é tão simples e pequena que muitas vezes passa desapercebida pelo sujeito distraído que em algum momento pergunta: onde ela está!?

Além dessa pergunta -  principalmente irmãos de alguma denominação – fazem outra: de qual igreja você é?!

Pensando a Igreja conforme acima exposto em paradoxo, como responder essa pergunta utilizando os meios formatados do denominacionalísmo? Normalmente, em resposta ao “de qual igreja você é” respondo, em amor: “da mesma que a sua!” Pois Igreja só existe uma, que é rica, grande, transbordante como ao mesmo tempo também é miúda, discreta, invisível!

Vamos por aqui. A beleza é mais inteira….

Abraço demorado.
Marcos Almeida

24 de agosto de 2009

Palavrantiga, séc. XXI, Comunidade e Plenitude.

Queridos compadres, alegria sempre!

A gente caminha e vê a paisagem sendo transformada. Paisagens internas e externas vão se modificando e aí logo corremos pra achar vocabulário e razão a fim de  explicar tantas mudanças.

É assim que acontece e também assim será amanhã, quando outros assuntos tomam lugar no nosso coração; primeiro vem os fatos e depois os nomes que encontramos para batizá-los.

O engraçado é que diante de tantas mudanças que estão em processo neste início de séc. XXI ninguém sabe muito bem como denominar tais acontecimentos e nem pra onde estes nos levarão – faltam palavras!

(mais…)

Tags: , , , , , , , , , , ,

5 de julho de 2008

Um ‘boas vindas’ e um paradoxo para você.

Olá, vamos chegando. Que bom que você apareceu aqui no nosso cantinho onde a liberdade para pensar e se divertir é coisa séria. É combinado prévio para se iniciar qualquer tipo de conversa. Por isso fique a vontade e não se acanhe caso surja aquela vontade de me interromper. Para isso use a página Contato, compartilhando da sua fala a respeito do assunto que estamos papeando…

Olha só, outro dia uma amiga nossa, a Priscila, me contou de um acontecido no cursinho dela. O professor falava sobre arcadismo e do quanto achava sem graça esse tipo de literatura e o uso desmedido de palavras velhas. “Esse povo que gosta de palavra antiga, que falta de espírito!”. Disse o professor, cortando o pensamento de nossa amiga que imediatamente se lembrou do Palavrantiga, dos quatro rapazes que ela há tempos conhecia e que ainda estavam gravando o disco primeiro. Assim que ela, em risos, me relatou a divertida aula, vi que tinha ali um inusitado pretexto para começar a falar da consciência que precede o nome Palavrantiga e o que de fato quer dizer esse neologismo, essa palavra nova, que hoje nos é nome e cpf!

A princípio posso dizer que Palavrantiga não é um movimento literário que gosta de palavras velhas, nem mesmo um projeto daqueles que deseja pesquisar histórias com cheiro de naftalina. Nem mesmo é um antiquário cheio de relíquias desbotadas. Nada disso! Deus nos livre! Palavrantiga é apenas nome para identificar o som, o pensamento e o movimento de quatro amigos que caminham amparados pela tão antiga novidade da reconciliação.
Seria mais interessante você pensar que nossa necessidade de nomear algo acaba encontrando razão de acordo com o jeito, a forma, o conteúdo e o tempo do sujeito a ser nomeado. Não fugimos desse caminho. Por isso, Palavrantiga tenta identificar a necessidade da nossa época, mais precisamente da nossa geração. Necessidade que poderia ser compreendida com essa pergunta que deixo para você, antes de ir embora:

Poderia existir um Evangelho tão novo, tão vibrante e exuberante que não fosse ao mesmo tempo também, tão imutável, absoluto e antigo?

Pode ler de novo…
Leia, releia e vá matutando aí, já que agora já é hora de ir e sei que você anda atarefado de mais e não pode mais ficar aqui. Mas não perca o fio da meada. Não demora a gente se encontra e tenho certeza que o nosso segundo encontro, depois dessa pergunta, será bem mais divertido…

Abraço demorado.

Marcos,
PALAVRANTIGA

Belo Horizonte, 05 de Julho de 2008.

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes