Palavrantiga
OBRA EM MOVIMENTO
Esperar é Caminhar!

18 de novembro de 2009

Música no Mundo = Música do Mundo?

Alegria sempre!

Há alguns dias atrás, estive participando de uma entrevista organizada via e-mail pelo amigo e jornalista João Neto – do portal Guia-me – e logo em seguida compartilhei com os confrades do Palavrantiga o resultado desse bate papo. Com muito entusiasmo eles me incentivaram a postar aqui, no nosso sítio, o conteúdo integral da conversa.

Na esperança de compartilhar boa nova, desejo uma boa leitura para todos.

Abraço demorado.

Marcos Almeida

——————————————————————————————————————————————————————————————-

J.N. O que te vem à mente quando se fala em “música do mundo”? E “música secular”?

M.A. Antes de qualquer outra palavra, acredito que é bom contextualizar a pergunta. Pois não é comum no meio cristão evangélico raciocinar a respeito do seu próprio sistema de pensamento, ou seja, perguntar por que se usa certos jargões tais como “música do mundo” ainda é mexer em estruturas culturais, é mexer no costume de um povo que já se habituou a repetir sem analizar, adotar vocabulários sem questionar origem, em fim, como todo povo sobre a face da terra, os evangélicos têm nos seus usos e costumes um ‘baú de herança’ pelo qual todos os adeptos devem lutar afim de manter tal tradição, empacotada, intacta até a próxima geração.
Não existe nada de mal nisso.É apenas uma constatação daquilo que é natural em qualquer sociedade que não considera a reflexão como instrumento útil para o crescimento da consciência rumo a uma visão mais completa da realidade. Mesmo que isso queira dizer, em certo momento, perder certas crenças para ganhar outras mais amplas.

Dito essas duas coisas vamos então mexer nos símbolos dessa cultura com todo o respeito:

Se nessa situação a gente considerar o termo “mundo” igual a “sistema simbólico pagão” ou “sistema secular” e música como “som e silêncio organizados expressivamente para que alguém ouça”, dificilmente o sujeito que não seja pagão vai gostar de ouvir tal música secular! Alguns mais radicais não vão querer ouvir nem por curiosidade de descobrir o que passa na alma do outro que não é da sua tribo. Pois alguns evangélicos admitem ouvir música secular no próposito que é: entender o pagão. No intuíto que é: ouvir o não crente revelar aquilo que o faz crer. Outros ainda ouvem sem considerar o valor simbólico e pragmático da letra secular, ouvem pelo som. Estes já abstraíram qualquer discurso, preferem apenas o som ao sentido rígido das palavras: é a música pela música.

Desde aquele que diz não ouvir música secular, como também o que ouve afim de analisar psicologicamente o outro, até aquele que deseja apenas sentir o som, a verdade mais crua é que todos ouvem música do mundo! A diferença é que para alguns tal som é um ensurdecedor ruído e para outros é expressão de beleza. E olha, todos esses grupos de posições tão divergentes creem em Jesus Cristo como salvador.

Eu enquanto músico cristão, compositor e professor penso que a arte que eu faço é naturalmente NO mundo mas não é DO mundo. Isso quer dizer que não me insiro em nenhum desses grupos acima colocados, pois o paradgma acaba sendo outro – obviamente me pauto em João 17, na oração de Jesus. Uma arte no mundo é bem diferente de uma arte do mundo. Quando procuro um filme para assistir,ou uma literatura,como também uma música, sempre busco uma expressão sincera que seja no mundo. Pois uma expressão artística que negue estar no mundo desconsidera o lugar onde seus pés estão fincados. Quem deseja uma música que não seja NO mundo talvez não queira de fato continuar vivendo por esses lados aqui da Terra.

J.N. É possível ouvir músicas que não sejam especificamente denominadas como evangélicas (ou “gospel”) e ser edificado com isso?

M.A. Perfeitamente!Claro que sim! Pois a música mundana pode inadvertidamente ser chamada de Gospel e aí não é um selo, ou uma marca cristã que preserva uma confissão sadia. Todos sabem disso! A Boa Nova não está restrita a uma cerca construída pelos parâmetros mercadológicos ou doutrinários, a Boa Nova ultrapassa fronteiras. A Boa Nova é um caminho e não um limite.

J.N. A música pode fazer bem ao ser humano, simplesmente pelo fato de ser música e ser feita com sentimento?

M.A. Se você folhear alguma revista de medicina dos últimos 30 anos vai poder encontrar algum artigo ressaltando o valor terapêutico da música. Muitos hospitais brasileiros já têm musicoterapia como um dos seus mais queridos serviços, principalmente na reabilitação de pessoas traumatizadas fisicamente.

J.N. Sabe-se que há grupos musicais que não se denominam “gospel”, mas em suas músicas falam sobre princípios cristãos como o amor, o respeito ao próximo, a peservação do meio ambiente, etc. Na sua opinião, essa também é uma forma de edificar aqueles que os ouvem?

M.A. Penso que não exista uma canção que seja neutra, que não queira falar sem se mostrar. É impossível! Até aquele que compõe no propósito de deixar um discurso desconexo para o ouvinte, uma coisa nublada, muito descomprometida, já tem aí uma intensão, a intensão de não ser objetivo. Como diz uma escritora mineira: diante do ouvinte, todo artísta sincero acaba se confessando publicamente. Então, não é tão raro encontrarmos confissões de artístas não carimbados pelo selo Gospel que são verdadeiras declarações de amor pela Vida, à criação, ao próximo. Como disse anteriormente, a partir do momento que você começa a pensar esse assunto por outro paradgma que não seja o comercial ou religioso vai conseguir ouvir muita música No mundo que não é Do mundo, não é Gospel nem Carismática e mesmo assim confessa publicamente a Boa Nova para todos os homens! Pois verdadeiramente o Evangelho não é uma fronteira construída pelos costumes de um povo. O Evangelho é um Caminho, é uma direção, é um vento que atravessa os limites de uma cultura e pode sim inspirar muita música neste mundo grande e misterioso!

Marcos Oliveira de Almeida

12 de Novembro 2009

Belo Horizonte

Tags: , , , , ,

  1. Nas minhas poesias falo de sentimentos dentro da amplitude humana: amor, tristeza,dor, etc., mas todos estes sentimentos são direcionados para Deus em busca de respostas, direção, alívio; a resposta,a direção, o alivío chegam e escrevo sobre eles. Este é o meu testemunho, é uma das formas de anunciar a boa nova; se isto tem agradado ao nosso Deus, saberei pelos “BONS FRUTOS”.

    Vamos continuar compartilhando e crescendo com esta reflexão, que é o mais importante!

    Abraços!

    Comment por raquel martins — 17 de abril de 2010 @ 14:50
  2. Marcos…
    suas palavras soaram como uma brisa suave para minha alma…vc conseguiu expressar dentro de um assunto um tanto polêmico a verdadeira essência do evangelho…falar das boas novas sem limites,sem preconceitos e longe de toda religiosidade…

    Obrigada!

    Comment por Hellen — 17 de fevereiro de 2010 @ 14:02
  3. Dani, não adianta, quando Deus manda, até o diabo obedece! Existem músicas incríveis escritas por não-cristãos que expõem mandamentos e pensamentos do próprio Jesus. Se Deus usou uma mula para falar ao coração do homem, o que O impede de usar um não-cristão?

    Comment por Larissa Rangel — 11 de fevereiro de 2010 @ 16:29
  4. Marcos,

    excelente linha de pensamento. Era o que esperava ouvir de uma das bandas mais interessantes que conheci este ano. Espero ver o trabalho de vocês ao vivo aqui em Manaus.

    denys

    Comment por Denys Cruz — 27 de novembro de 2009 @ 22:29
  5. AMADO!!!!!O MUNDO PRECISA DE PESSOAS SABIAS COMO VC , POIS A RELIGIOSIDADE MATA NOSSA IMAGEM!!!!!HONRAS E GLORIAS AO SENHOR…ABENÇOADA SEJA SUA VIDA E SEUS CAMINHOS!!!NA PAZ DO ETERNO SEMPRE!!!

    Comment por CARLA — 24 de novembro de 2009 @ 11:10
  6. Marcos, Paz e Alegria!

    Acredito que não só a música, mas, todas as fluências às quais estamos passíveis neste mundo são antagônicas… Sempre encontraremos uma bifurcação no meio do caminho; o que é bom certamente será perceptível, a Boa Nova indubitavelmente o é, e isso sobrepuja qualquer rótulo, conceito ou cultura.

    Muito boa a entrevista Marcos, certamente crescemos ao compartilharmos coisas assim. Que nossos pensamentos, raciocínios, palavras e sons estejam sempre, submersos na graça.

    Forte abraço meu mano,

    Valder

    Comment por Valder — 23 de novembro de 2009 @ 09:07
  7. Ah, muito bom!!!! Concordo com o que foi dito, tem muito artista no mundo que se você parar pra ouvir sem preconceito vai ‘ver’ Deus na letra, não tem como! Abraço, Deus abençoe vcs!

    Comment por Juliana — 21 de novembro de 2009 @ 12:33
  8. Obrigada por compartilhar conosco essas palavras tão sábias e equilibradas que, ao invés de polemizarem sobre o assunto, trouxeram reflexão e esclarecimento.

    Que Deus seja louvado!

    Comment por Paula Tatiana — 20 de novembro de 2009 @ 21:18
  9. Paz!!!

    Muito bom o que você escreveu, e que habilidade com as palavras menino.
    Já sou fã de vcs e isso só me faz admirar mais ainda o “conteudo” de tudo que vocês produzem!

    Continuem caminhando!

    Bjs…

    Comment por Grazi — 19 de novembro de 2009 @ 15:35
  10. Olá Marcos,

    Bom poder ler isso. Eu já fui muito radical no que diz respeito à música “mundana”. Não escutava de jeito nenhum. Ainda não escuto, mas a vejo com outros olhos. Deus tem falado comigo a respeito.

    “O Evangelho não é uma fronteira construída pelos costumes de um povo”.

    Amei mesmo!
    Um abraço.

    Comment por Luana O'Stos — 19 de novembro de 2009 @ 15:04
  11. Marcos,
    eu tenho uma opinião um tanto diferente. Vamos partir do seguinte raciocinio. Quem criou a música foi Deus, com o intuito de ser adorado através dela, logo, a música não foi criada para prazeres humanos, apesar de sentirmos prazer quando ouvimos, mas para adorar a Deus. Então o que importa, na verdade, não é exatamente a letra, apesar de também ser importante, mas se a canção foi inspirada por Deus ou não, pois, se foi inspirada por Deus, quando você está cantando está adorando a Ele, contudo, se não for inspirada por Ele, você continuará adorando, mas alguém que não é o Senhor, pois música não é simplesmente algo para se ouvir, mas é adoração. E você tem que concordar comigo que bandas como The strokes, por exemplo, não tem suas músicas inspiradas por Deus. Se sabe que alguém tem suas músicas inspiradas por Deus através da vida que ela leva, se é segundo o coraçãode Deus. O que quero dizer é que o importante não é se é gospel ou secular, mas se é inspirada por Ele. As que não são, me recuso a ouvir, pois não se pode adorar dois deuses ao mesmo tempo. Não poderia deixar de dizer que vocês são minha banda nacional favorita. Sonho em ver vocês adorando a Deus aqui em Belém rs. Abraço demorada, fiquem com Deus.

    Comment por Dani — 19 de novembro de 2009 @ 11:42
  12. “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” Mateus 12:34; É o que disse Jesus aos fariseus!

    A música é uma expressão sincera.Incrível.E é muito bom poder usar ela pra falar com nosso Amado. Lembro-me de certa canção:

    “Toda Arte que eu faço
    Todo som entoado
    Não é mais que uma grande vontade
    De Te Conhecer”.

    É isso!

    Abraço

    Lucas

    Comment por Lucas — 19 de novembro de 2009 @ 10:06
  13. Muito bom mesmo! Vamos deixar de consagrar violão, guitarra e caixa de som! Consagremos nossos corações!

    Comment por Fabricio Nicolau — 19 de novembro de 2009 @ 08:38
  14. Marcos,

    Excepcional o seu pensamento. Gostei muito e concordo que isso é uma questão cultural. Infelizmente a “igreja” brasileira vê a novela das oito, mas critica que ouve boa música …Vai entender … Sem contar que a maioria dos “cantores de musica gospel” estão mais preocupados em ganhar dinheiro do que fazer boas músicas … aí eles ficam assim … cantando o que o povo que ouvir, a fim de agradar a todos … mas esse assunto é muito longo. Parabéns pela banda, vcs são uma das melhores coisas que ouvi nos últimos tempos!

    Graça eterna,

    Alan Tinoco
    http://www.paixaoegraca.blogspot.com

    Comment por Alan Tinoco — 19 de novembro de 2009 @ 08:18
  15. Marcos…

    o legal nessas suas palavras eh uma chamada ao “raciocinio” por parte dos cristaos enquanto integrantes de uma sociedade, mesmo sem condena-los por um defeito presente (como vc mesmo disse) nessa sociedade, que eh nao considerar a reflexao como instrumento para o crescimento.

    A arte eh pra ser apreciada sem rotulos e tbem nos, como cristaos… precisamos mostrar nossa arte ao mundo, sem os muros e cercas. Sim… tambem sem imposicao, mas anunciar atraves da arte, a mensagem da cruz, do amor tao maravilhoso e incondicional q nos impele a viver pelo Mestre…

    gde abraco!

    Comment por rikg12 — 18 de novembro de 2009 @ 23:05

Deixe um comentário

Feed RSS dos comentários deste post URL de TrackBack

Anti-Spam Protection by WP-SpamFree

Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes